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Advogado Criminalista: tudo o que você precisa saber antes de contratar

Advogado Criminalista: tudo o que você precisa saber antes de contratar

Advogado criminalista é o profissional do Direito Penal que representa e defende quem responde a processo criminal em todas as fases, do inquérito policial até os recursos finais -, zelando pelo devido processo legal e pela ampla defesa garantidos pelo art. 5º da Constituição Federal. Este guia explica o que esse profissional faz em cada etapa do processo penal, em quais áreas atua, quais direitos assistem ao investigado e ao acusado, e como avaliar um profissional antes de contratar.

O que faz um advogado criminalista?

O advogado criminalista representa o acusado em todas as fases do processo penal, do inquérito ao trânsito em julgado. Sua função central é garantir que nenhuma etapa viole direitos constitucionais e construir a melhor tese defensiva possível diante dos fatos.

As atribuições principais são:

  1. Acompanhar depoimentos e interrogatórios, orientando o cliente sobre o direito ao silêncio e prevenindo irregularidades na coleta de prova.
  2. Analisar provas e identificar nulidades processuais que possam comprometer a validade da ação penal.
  3. Elaborar peças processuais: resposta à acusação, memoriais, alegações finais, recursos e habeas corpus.
  4. Negociar institutos despenalizadores quando cabíveis: transação penal (art. 76 da Lei 9.099/1995), suspensão condicional do processo (art. 89 da mesma lei) e Acordo de Não Persecução Penal, ANPP (art. 28-A do CPP, introduzido pelo Pacote Anticrime).
  5. Defender em audiências de instrução, julgamento e, quando for o caso, no Tribunal do Júri.
  6. Interpor recursos nos tribunais estaduais, no STJ e no STF quando houver questão de direito a enfrentar.
  7. Acompanhar a execução da pena, requerendo progressão de regime, livramento condicional e demais benefícios previstos na Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984).

O que diferencia o trabalho do criminalista de outras especialidades é a natureza do bem em jogo: liberdade, reputação e, em muitos casos, os dois ao mesmo tempo. Isso exige preparo técnico específico e familiaridade com o rito processual penal.

Quando contratar um advogado criminalista?

A defesa técnica precoce preserva opções que desaparecem com o avanço do processo, a resposta prática é: antes que você imagine precisar.

As situações que exigem contratação imediata são:

  1. Prisão em flagrante, a defesa deve atuar ainda na delegacia, durante a lavratura do auto de prisão.
  2. Convocação para depoimento em inquérito policial ou CPI, o advogado acompanha o ato e orienta sobre o direito ao silêncio.
  3. Mandado de busca e apreensão cumprido no domicílio ou na empresa, o advogado verifica os limites do mandado e documenta eventuais excessos.
  4. Notificação de indiciamento, fase em que a autoridade policial atribui formalmente a autoria do delito.
  5. Recebimento de denúncia ou queixa-crime, início oficial da ação penal, com prazo para resposta à acusação.
  6. Ameaça de representação em crimes de ação penal pública condicionada, antes mesmo de instaurado o inquérito.

Atuar somente após o recebimento da denúncia, por exemplo, pode inviabilizar o ANPP, que exige requisitos cumpridos antes do oferecimento da peça acusatória. Cada fase encerrada sem defesa técnica é um conjunto de estratégias que se fecha.

Quais são as etapas do processo penal e o papel da defesa em cada uma?

Entender o rito ajuda a compreender por que a defesa técnica importa em cada fase, não apenas no julgamento.

FaseO que acontecePapel da defesa
Inquérito policialInvestigação conduzida pela autoridade policial para apurar autoria e materialidadeAcompanhar depoimentos; acessar os autos (Súmula Vinculante 14 do STF); evitar confissões precipitadas; avaliar pedido de arquivamento
Oferecimento da denúnciaO Ministério Público oferece a peça acusatória ao juiz, que decide pelo recebimento ou rejeiçãoApresentar razões para rejeição da denúncia (art. 395 do CPP); negociar ANPP antes do recebimento
Resposta à acusaçãoDefesa apresenta tese, indica provas e testemunhas; juiz pode absolver sumariamenteRequerer absolvição sumária (art. 397 do CPP) quando cabível; apontar nulidades; arrolar testemunhas
Instrução criminalOitiva de testemunhas, produção de provas, interrogatório do réuContraditar testemunhas; requerer diligências; orientar o réu no interrogatório
Alegações finaisAcusação e defesa apresentam memoriais com síntese das tesesSistematizar os pontos favoráveis; rebater as teses da acusação; pleitear causas de diminuição de pena
SentençaJuiz decide pela condenação ou absolviçãoAnalisar a sentença para identificar vícios e fundamentos de recurso
RecursosApelação, embargos de declaração, recurso especial (STJ), recurso extraordinário (STF)Interpor o recurso cabível; atacar erro de direito ou de fato; buscar revisão de pena
Execução penalCumprimento da pena após o trânsito em julgadoAcompanhar progressão de regime, livramento condicional, indulto e demais benefícios da LEP

Em crimes de competência do Tribunal do Júri, há ainda a fase de pronúncia, em que o juiz decide se o réu vai a julgamento popular. A decisão de pronúncia vincula o conteúdo do debate perante os jurados, razão pela qual a defesa técnica nessa etapa é decisiva.

Quais são os institutos despenalizadores e como se diferenciam?

Três institutos permitem evitar ou suspender o processo criminal antes da sentença. Confundi-los é erro técnico com consequências práticas graves.

InstitutoBase legalMomento de aplicaçãoRequisito principalEfeito
Transação penalArt. 76, Lei 9.099/1995Antes da denúnciaInfração de menor potencial ofensivo; pena máxima até 2 anosAplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, sem processo e sem condenação
ANPPArt. 28-A, CPP (Lei 13.964/2019)Antes do recebimento da denúnciaPena mínima inferior a 4 anos; sem violência ou grave ameaça; confissão formal; não reincidente em crime dolosoCumprimento de condições (reparação do dano, serviços comunitários, proibições); extingue a punibilidade ao final
Suspensão condicional do processoArt. 89, Lei 9.099/1995Após o recebimento da denúnciaPena mínima igual ou inferior a 1 ano; réu não reincidente em crime doloso; circunstâncias que autorizem suspensãoProcesso suspenso por 2 a 4 anos; cumpridas as condições, extingue-se a punibilidade

A Súmula 696 do STF estabelece que, reunidas as condições do art. 89 da Lei 9.099/1995, se o Ministério Público recusar a proposta de suspensão condicional, o juiz pode remeter a questão ao Procurador-Geral. O mesmo raciocínio é aplicado, por analogia, ao ANPP em caso de recusa imotivada do MP.

Em quais áreas atua o advogado criminalista?

A defesa criminal não é uniforme. Cada área envolve legislação, jurisprudência e dinâmica probatória próprias.

  • Crimes contra a pessoa (homicídio, lesão corporal, ameaça, injúria, difamação): exigem análise do elemento subjetivo do tipo, do nexo causal e, nos casos do Júri, domínio do rito bifásico.
  • Crimes contra o patrimônio (furto, roubo, estelionato, extorsão): a defesa explora desclassificações, causas de diminuição e as circunstâncias que qualificam a conduta.
  • Tráfico de drogas e crimes correlatos (Lei 11.343/2006): a fronteira entre tráfico e uso próprio é determinante para a pena; a defesa pode pleitear o tráfico privilegiado quando os requisitos legais estão presentes.
  • Crimes de trânsito (Lei 9.503/1997, CTB): homicídio culposo, embriaguez ao volante e omissão de socorro são os mais frequentes; a perícia técnica e o laudo de alcoolemia são elementos centrais.
  • Violência doméstica e familiar (Lei 11.340/2006, Lei Maria da Penha): rito próprio, medidas protetivas de urgência e vedação expressa aos institutos da Lei 9.099/1995 (ADI 4.424 do STF); a Súmula 542 do STJ confirma que a ação penal em lesão corporal no contexto doméstico é pública incondicionada.
  • Crimes sexuais (Lei 12.015/2009): casos de alta complexidade probatória, frequentemente com a palavra da vítima como prova central; a defesa exige rigor na análise das provas e respeito ao contraditório.
  • Crimes econômicos e tributários (lavagem de dinheiro, corrupção, evasão fiscal): envolvem grande volume documental, perícias contábeis e, com frequência, acordos de colaboração premiada; a defesa acompanha cada fase com atenção ao sigilo bancário e fiscal.
  • Crimes cibernéticos (Lei 12.737/2012 e Marco Civil da Internet, Lei 12.965/2014): fraudes digitais, invasão de dispositivos e divulgação não autorizada de dados; a prova digital tem regras específicas de coleta e cadeia de custódia.

Quais são os direitos do investigado e do acusado?

A Constituição Federal e o Código de Processo Penal garantem ao investigado e ao acusado, entre outros direitos:

  1. Direito ao silêncio, o investigado não é obrigado a produzir prova contra si mesmo (art. 5º, LXIII, CF). O silêncio não pode ser interpretado como confissão.
  2. Presença de advogado em todos os atos do inquérito e do processo, incluindo o interrogatório.
  3. Acesso aos autos do inquérito, a Súmula Vinculante 14 do STF garante ao defensor acesso a todos os elementos de prova já documentados, mesmo em investigações sigilosas.
  4. Não ser preso sem flagrante ou sem ordem judicial fundamentada (art. 5º, LXI, CF).
  5. Audiência de custódia em até 24 horas após a prisão em flagrante, conforme a Resolução 213/2015 do CNJ e o art. 310 do CPP (com a redação dada pelo Pacote Anticrime, Lei 13.964/2019).
  6. Contraditório e ampla defesa em todas as fases (art. 5º, LV, CF): direito de conhecer as acusações, produzir provas e se manifestar antes de qualquer decisão desfavorável.
  7. Presunção de inocência até o trânsito em julgado da sentença condenatória (art. 5º, LVII, CF).
  8. Assistência de defensor público, quando o investigado ou acusado não puder arcar com os honorários advocatícios.

Como avaliar um advogado criminalista antes de contratar?

A escolha do profissional envolve critérios técnicos e práticos. Alguns pontos objetivos para considerar:

  1. Especialização efetiva em Direito Penal, verificar se a atuação é dedicada ao Direito Penal e Processual Penal, e não apenas uma das diversas áreas do escritório.
  2. Conhecimento das fases processuais, o advogado deve explicar com clareza o que acontece em cada etapa do processo e qual a estratégia defensiva aplicável ao caso concreto.
  3. Postura transparente quanto a expectativas, profissionais sérios explicam riscos e possibilidades; não garantem resultados nem prometem absolvição certa.
  4. Registro ativo na OAB, verificável pelo site do Conselho Federal da OAB.
  5. Clareza nos honorários, o contrato de honorários deve estabelecer escopo, valores e etapas de forma transparente, conforme o Estatuto da OAB e o Código de Ética.

Desconfie de promessas de resultado garantido ou de afirmações sobre “contatos” no tribunal. Ambas violam o Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB e são sinais de alerta sobre a idoneidade do profissional.

Perguntas frequentes

Quando devo contratar um advogado criminalista?

Antes que você imagine precisar. A defesa técnica precoce preserva opções que desaparecem com o avanço do processo. A contratação é urgente em casos de prisão em flagrante, convocação para depoimento em inquérito, mandado de busca e apreensão, indiciamento e recebimento de denúncia. Quanto mais cedo o advogado conhece o caso, mais estratégias ficam disponíveis, inclusive o ANPP, que exige requisitos cumpridos antes do oferecimento da denúncia.

Qual a diferença entre advogado criminalista e advogado criminal?

As expressões são sinônimas no uso corrente. Ambas designam o profissional especializado em Direito Penal e Processual Penal. Tecnicamente, “criminalista” pode remeter também ao perito criminal (profissional de ciências forenses), mas no contexto de defesa jurídica os dois termos identificam o advogado que atua no processo penal.

O que é o ANPP e quando ele se aplica?

O Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) é um instituto inserido no art. 28-A do Código de Processo Penal pelo Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019). Permite que o Ministério Público proponha ao investigado, antes da denúncia, o cumprimento de condições, como reparação do dano e prestação de serviços comunitários, em vez do processo criminal. Aplica-se a crimes com pena mínima inferior a 4 anos, sem violência ou grave ameaça, e exige confissão formal.

Quais são os direitos de quem está sendo investigado em um inquérito policial?

O investigado tem direito ao silêncio (art. 5º, LXIII, CF), à presença de advogado em todos os atos, ao acesso aos elementos de prova já documentados nos autos (Súmula Vinculante 14 do STF), à não autoincriminação e à assistência de defensor público caso não possa contratar advogado. Esses direitos valem desde o inquérito, antes mesmo da denúncia.

O advogado criminalista pode atuar na execução da pena?

Sim. Após a condenação transitada em julgado, o advogado criminalista acompanha o cumprimento da pena: progressão de regime (art. 112 da LEP, com as frações alteradas pelo Pacote Anticrime), livramento condicional, indulto, saída temporária e detração. A defesa técnica na execução é fundamental para garantir que os benefícios previstos na Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984) sejam aplicados no momento correto.


Se você ou alguém próximo está enfrentando uma situação como a descrita neste artigo, agende uma consulta para análise técnica do seu caso. Cada situação tem particularidades que só uma avaliação detida pode esclarecer.

Nóbrega Advocacia, Direito Penal e Processual Penal.
nobregaadvocacia.com.br


Dr. Alexandre Nóbrega
Advogado criminalista inscrito na OAB/SP. Atua exclusivamente em Direito Penal e Processual Penal, com foco em defesa criminal em todas as fases, do inquérito policial à execução da pena. Membro do IBCCRIM e da ACRIMESP.
nobregaadvocacia.com.br

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